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CAVALEIRO DAS TREVAS EXPLODE CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA
Escrevi o texto abaixo para um site jurídico. Vai trecho dele. Quem se interssar pode vê-lo completo, no endereço ao final.

CAVALEIRO DAS TREVAS EXPLODE
A CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA
Denilson Cardoso de Araújo
INTRODUÇÃO
No dia 27/08/08, fui ao cinema em Teresópolis, assistir ao filme “BATMAN, O CAVALEIRO DAS TREVAS”. O que era para ser um momento de lazer, virou uma preocupação, tão logo entrei no cinema e vi a quantidade de crianças que fazia sua algazarra de espera. Preparei as reservas de paciência e busquei um lugar. O filme começa e a algazarra encolhe. Logo no início, o filme impacta adultos e congela crianças. Veremos porquê.
Com toda sua gama de efeitos especiais, excepcional direção e atuações persuasivas, trata-se de um bom filme... só que, para adultos! Entretanto, recebeu classificação indicativa para 12 anos, incompatível, a meu ver, com a extrema violência que reproduz. Já a primeira seqüência termina com um personagem com uma granada na boca, que é explodida ao final da cena. Ainda que não seja explicitada a explosão, a edição de som e imagem do filme deixa clara a sua ocorrência. Natural que as crianças tenham “congelado”. Há cenas em que o vilão da história aperta o gume de uma faca sobre a boca dos personagens que oprime, com a montagem indicando que efetuou o corte na face das vítimas. Além das explosões e lutas, com realismo, esmero e exagero habituais em Hollywood, há um clima pesado, sombrio ao extremo. Também aí, minha visão de leigo suspeita tratar-se da oferta de um espetáculo psicologicamente denso demais para crianças.
A classificação etária do filme tem gerado debates em diversos blogs na internet. Também em outros países a faixa recomendada tem sido questionada, havendo sugestões de que fosse indicado somente para maiores de 15 anos. Nos EUA, o filme foi classificado como “PG-13 (Parents Strongly Cautioned)”, o que significa que “parte do material do filme poder ser impróprio para crianças menores de 13 anos, sendo o acompanhamento dos pais ou responsáveis legais seriamente recomendada” (grifei). Como aqui, a classificação não é proibitiva, mas, além de mais severa, exige maior compromisso parental.
Surpreendi-me ao verificar que assistiam à fita diversas crianças que aparentavam idade menor que 08 anos. Ao final da sessão, conversando com a bilheteira e o gerente, acabei sabendo que a ocorrência era comum. Os funcionários disseram, que, embora alertassem aos pais sobre a violência contida no filme, mesmo assim, eles o assistiam com seus filhos. A bilheteira mencionou que crianças de 02 anos já tinha vivido essa situação. Indaguei de uma das mães que saía do cinema com seus quatro filhos, sobre a idade do menor deles. Tinha 07 anos!
O assunto me obrigou à presente reflexão.
OS EFEITOS DA VIOLÊNCIA NA MÍDIA SOBRE CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Certas violências sofridas por crianças e adolescentes somente farão sentir seus efeitos muitos anos depois, porque nem todas são visíveis, físicas, palpáveis. Não é o corpo, portanto, que as recebe, sequer a razão as traduz. Por isso é que não vale o conforto que se dão pais, exibidores e produtores de programas que propagam violência, quando afirmam que a criança “sabe separar a realidade da ficção”. Ou seja, a criança pode ter recebido orientações, pode haver diálogo, racionalmente pode haver até compreensão e triagem lógica que afaste a possibilidade da conexão entre o programa assistido e o comportamento resultante. O problema é que tal linha de raciocínio esquece que não somos apenas razão. Somos também emoção.
Embora nos tenham chegado por artes da razão, a descoberta do inconsciente, por Freud e depois, do inconsciente coletivo, por Jung, trouxeram fissuras irreversíveis no tão aclamado edifício da razão humana. A realidade não é conhecida por nós apenas com o que podemos elaborar e transformar em palavras. Há formas de percepção que surgem das entrelinhas, há um sentir que adentra compartimentos ocultos da mente. Há fantasmas que se escondem em subterrâneos, de onde saltam quando menos se espera, arrastando suas correntes de neuroses.
(...)
Categoria: INFÂNCIA E JUVENTUDE
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 19h26
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ESTÁ NA MODA A DROGA DO ESTUPRO?

Em algum momento você deve receber de alguém o e-mail que me chegou hoje. É um alerta sobe uma droga que produziria perda de consciência, amnésia e paralisia dos membros inferiores por até 08 horas, facilitando a ação de estupradores. Seria um tal de Progesterex, supostamente utilizada por veterinários, para castração química, o que induziria infertilidade permanente nas mulheres que a ingerissem.
Relatando casos de meninas que teriam sido estupradas sem lembrança, por até 08 homens (suposta comprovação em coleta de sêmem), a advertência rogava divulgação a amigas, namoradas, filhas e mulheres, advertências a filhos e filhas que gostam de programa noturnos.
Pareceu-me uma lenda urbana e a pesquisa na Internet pode indicar que o seja. O tal remédio ou não existiria ou não teria tais efeitos.
Entretanto, um jornal português, “O Jornal da Madeira”, tem uma matéria antiga em seu sítio*. Embora afirme a existência do remédio, retirado do mercado, entrevista um ginecologista que desconhece tais efeitos em humanos, o que é confirmado pela Sociedade Protectora dos Animais, que acresce ser o remédio de difícil obtenção, pois em 2005 (data da matéria) já estaria fora do mercado há 02 anos.
De qualquer forma, achei que valia a pena alertar para o golpe, pois este sim – independentemente da substância empregada – existe. Lamentavelmente conhecemos, em Varas da Infância e da Juventude, casos de meninas desavisadas que já caíram no “Boa-Noite, Cinderela” e foram, sim, vítimas de estupros coletivos.
*www.srsdocs.com/parcerias/revista_imprensa/jornal_madeira/2005/jm_2005_01_31_03.htm .
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 19h10
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DICAS DE CINEMA

FIM DE SEMANA DE MOLHO. TENDINITE, GRIPE, CANSAÇO, CHUVA E FALTA DE CARRO. FESTIVAL DE CINEMA BRASILEIRO LÁ EM CASA. RECOMENDO TODOS:
CHEGA DE SAUDADE – de Laís Bodansky – com Leonardo Villar, Tonia Carrero, Stephan Nercessian, Cássia Kiss, Maria Flor – Você é romântico (a)? Gosta de delicadeza com densidade? Então não perca este filme, que se passa numa noite de baile num salão de danças. Elza Soares é a crooner do baile, quer mais? O elenco de apoio dança muuuiito. Laís, competentíssima, que já nos impactara com seu primeiro filme (o forte Bicho de Sete Cabeças, com Rodrigo Santoro), agora nos acaricia o coração, com essa pequena obra-prima, que remete a 'O Baile' de Ettore Scola, só que com palavras. E que belas palavras (o roteiro é excelente). Há muita improvisação, câmera pulsante de Walter Carvalho, trilha sonora pra comprar e ouvir no carro. Não percam. Especialmente, jovens de todas as idades, viu? Não percam! Um filme universal. Deveria ser nossa indicação ao Oscar.
Cotação DCA (eu, oras!): entre 05 estrelas: *****
TRAIR E COÇAR É SÓ COMEÇAR – a peça de tantos anos de sucesso, de Marcos Caruso, dirigida por Moacyr Góes – com Adriana Esteves, Bianca Byington, Cássio Gabus Mendes, Ailton Graça e outros. Sou suspeito, adoro teatro, e gosto de teatro filmado (sei que sou exceção). Aqui a transição palco - celulóide não fez mal ao texto. Garantia de boas risadas, numa trama cheia de confusões. Brilho especial de Adriana que faz uma hilária empregada doméstica.
Cotação DCA: ***
MUITO GELO E DOIS DEDOS D’ÁGUA – de Daniel Filho – com Mariana Ximenes (iluminada, provando que é mais do que a garotinha meio otária das últimas novelas que fez e mais a grande atriz que ponteou em JK, a minisérie), o sempre competente Ailton Graça, o esforçado Tiago Lacerda e a imortal Laura Cardoso. Gargalhadas leves, que remetem aos bons tempos da Atlântida, só que com um leve pitada de pimenta e uns dedos de sarcasmo. Um quê de Almodóvar aqui e ali, funcionam bem. Vale.
Cotação DCA: ****
CAIXA DOIS – da peça de Juca de Oliveira – direção de Bruno Barreto – com Fúlvio Stefanini, Cássio Gabus Mendes, Daniel Dantas e Zezé Polessa. As agruras desse nosso país cheio de corrupção viram boas risadas nesse debate surreal entre salafrários sobre o destino da grana duma falcatrua. Especialmente recomendado para bancários e empregados em geral, de lugares reestruturados, “modernizados” e “energizados” pelas informatizações e reengenharias da vida.
Cotação DCA: ***
Categoria: POESIA, ARTE E CIA
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 19h32
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SOBRE SOLIDÕES E DESERTOS

Hoje escrevi para uma pessoa querida, que se sentia meio só. Achei que a reflexão podia ser útil a outras pessoas. Por isso, transcrevo-a em parte.
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(...)
Mas uma parte desse sentimento que te incomoda é parte de uma característica da sua personalidade, que você tem que aprender a vencer.
Uma melancolia quase profissional (que eu tive a maior parte da minha vida, por isso sei como é). Uma topada de manhã cedo, pode acabar com o dia. Um pássaro que resolve nos usar como banheiro, às vésperas duma reunião, pode acabar com o mês. Logo comigo, ora bolas!!! , pensamos. Mas você não está sozinha. O mundo não conspira contra você. O mundo caminha, como uma máquina gigantesca e mutante. Às vezes nos pisa, é só.
Por outro lado, nossos atos são sementes e às vezes uma coisa que hoje machuca, nós mesmos a plantamos ontem. Aquele baobá que irrompe no meio da sala, arrastando o piso, rebentando o teto, foi uma mudinha, uma semente, que descuidadamente, deixamos cair numa fresta do piso, no meio da festa do ontem. Deus fez sementes para que vingassem, dessem plantas, virassem árvores, ora bolas.
Nem sempre a Justiça Divina é compreendida por nós, até porque pequenas injustiças humanas fazem parte da tapeçaria completa. Como não enxergamos o tapete pronto - o que só Deus consegue! - ficamos assim, aquele nó no meio da trama, parecendo uma pedra, uma cavalice, um transtorno, uma tragédia. Mas Deus já pôs ali, o miolo da flor. Nós é que ainda não sabemos. Olhamos muito de perto. Muito de dentro. Do olho do furacão.
Você sabe que certos desesperos já me deixaram à beira de enfartos. Não é que eu não me preocupe mais. Preocupo-me sempre. Mas não me desespero. Aprendi a controlar meus próprios desesperos. Impedir que se aproximem. Se caminham em nossa direção, evitar que cheguem. Se chegam, convidá-los a sair... e rápido... nem servir cafezinho, nem deixar que se sentem. Botar logo a vassoura atrás da porta, ser mal educado mesmo, deixar que o próprio desespero abra a porta da saída, porque assim, dizem, a visita não volta.
(...)
Mas, volto a dizer.... como sempre: Confie em Deus. Joelho no chão (e cantar, cantar muuuuiiito) é o melhor remédio pra todas as 1.839 formas já por mim catalogadas, do desespero.
Aliás desespero, é engraçado. Porque nos desesperamos, por exemplo, quando não temos uma chance. Aí, a chance vem, e nos desesperamos porque podemos não dar conta. Aí, quando sabemos que demos conta, ficamos desesperados, indagando se as pessoas vão gostar. E aí, depois que gostaram, nos desesperamos porque imaginamos que isso significa recompensas, o mundo vai ficar dourado... aí o mundo não fica dourado e achamos que nada valeu a pena e nos desesperamos porque 'desperdiçamos' energia e esforço e afetos... É ridículo.
Chego a rir escrevendo isso... Mais jovem, passei por esse processo todo muitas vezes. Hoje sei que o meu patrão é minha consciência e o dono da minha consciência é Deus. Faço o meu melhor, sempre. Se minha consciência gostar, já valeu. Já fui desgostado, perseguido, sacaneado o bastante, pra aprender a não correr atrás da consciência alheia, que é incontrolável e nem sempre viveu pelos caminhos mais retos. Não me olho no espelho dos olhos das pessoas. Não. Descobri que as pessoas querem que eu seja “eu”. Os que me querem um outro, é porque o meu “eu” as incomoda. Aí é hora de consultar a consciência. Se o meu “eu” está em paz comigo, com meus princípios, com meu senso de justiça e fraternidade, fico com meu “eu”. Bom... daí pode pintar o desespero de... mas quem sou “eu”?, né? rsrsrsrs
A gente é os nossos melhores sonhos. Mesmo quando não se realizam, sonhos nos constroem. Meu sonho é fazer felicidade e viver felicidade. Mesmo que para isso eu tenha que ser um pouquinho 'infeliz' agora. Não dá pra ser atleta sem calos. Não dá pra ser violinista sem tendinite. Não dá pra amar, sem renúncias.
Fique com os sonhos. E não se espante se ficar sozinha por vezes. O mundo hoje é pesadelos. Pessoas vivem e praticam pesadelos. Por isso, se a sensação é de exílio, aprenda a ter a solidão como boa companheira. Sua quietude nos permite o mosteiro, a reflexão, a busca do eu interior, a companhia de Deus, onde quer que estivermos. O exílio, o deserto, é uma capela. Uma catedral, se olharmos bem, com todos os seus vitrais de arco-íris derramando líquidos vidros sobre o chão da nossa alma.
Mas, do deserto saem reis e profetas. Diz a Bíblia. Eu sei. Já saí rei e já saí profeta. E por desperdício do aprendizado, tantas vezes me tornei mendigo e gentio... Por isso sempre volto aos desertos. São bons conselheiros. Até porque... desertos têm oásis... E é tão bom descobrir atrás daquela duna fumegante, aquelas palmeiras, aquele riacho, aquela pedra com limo inimaginável, que é só nossa... Está no meio do deserto de nós. Naquele momento, é só nossa, inclusive com seu peixinho beijando nossos pés.
Mas não adianta entrar no deserto já querendo botar pés na água. Só se chega ao oásis depois do suor de água fervente, das punhaladas do sol a pino, do frio extremo à noite, da convivência com os lagartos de pedra e as secas pedras inchadas de sol armazenado.
Não lamentemos desertos, querida. São vésperas de bosques. Apenas, leve água. Um cantil farto de esperanças e uma cantilena refrescante.
Estou aqui, viu? Às ordens. Posso te dizer que sobrevivi a muitos saaras. Posso te emprestar meus mapas, se quiser. Mas servem pouco. Dunas mudam de lugar. O vento as derrete e as reconstrói. Você terá que fazer teus próprios mapas. E, lógico, o mapa de agora nada vale amanhã. A não ser que você se guie pelas estrelas.
Que seja assim. Guie-se pelas estrelas. Não tem errada.
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Categoria: EU E OS MEUS
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 09h31
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